quinta-feira, 21 de junho de 2012

10 Regras para Educar com Limites


REGRAS PARA EDUCAR COM LIMITES


            Que nossos filhos precisam ser educados com limites é voz comum, mas o que exatamente significa isso?
            Antes de mais nada, vamos definir o que se entende por limite.Para este fim e neste texto vamos usar uma definição consensual:
Limite é o ponto onde termina o nosso direito e começa o do outro.
Sendo esta definição tão simples e óbvia, por que é tão difícil transformar teoria em prática?

Isto se deve ao fato do nosso comportamento ser o resultado de algumas convicções intimas ou crenças que, mesmo inconscientemente norteiam nossas ações como pessoas e pais.

Para descobrir por que é tão difícil seguir algumas regras básicas para educar com limites temos que aprofundar nosso auto-conhecimento, buscando dentro de nós a causa da dificuldade. Algumas crenças pessoais facilitam uma educação social mais adequada, mas este seria o motivo para outro texto.
Ainda assim, será válido repensar as regras básicas a seguir, como ponto de partida para uma reflexão pessoal:

Regra nº 1 – Que haja muito diálogo desde tenra idade, cheio de causas, conseqüências e porquês.Isso treinará nosso filho a raciocinar de forma lógica para depois entender a reciprocidade que exige o respeito aos outros;

Regra nº 2 – Que só se "cobre" o que a idade permite, lembrando sempre que no início, por mais que você explique o porquê do “não”, e ele não entenda, mesmo assim, deverá OBEDECER (de preferência, por bem);.

Regra nº 3 – Que não se prometa uma sanção (“castigo”) que não se possa cumprir.Ex.: “Se você repetir de ano não haverá viagem de férias”. “Se você não se comportar, nunca mais vai sair comigo”;

            Regra nº 4 – Que o “castigo”, se houver, tenha ligação lógica com a infração ou falta cometida:
  • não se comportar no jantar com visitas acarretará seu afastamento desta refeição coletiva;
  • quebrar ou perder algo de valor de alguém exigirá uma tentativa de reparação ou conserto;
  • os mais velhos só poderão esperar a satisfação de seus direitos de lazer após cumprir com seus deveres ( que deverão ser combinados previamente entre as partes).
Regra nº 5 –Que as regras familiares sejam claras e respeitadas, independente de nossos humores;

Regra nº 6 –  Que pai e mãe não sejam "iguaizinhos" na forma de educar os filhos.O aconselhável é que sejam diferentes! Mãe é amor incondicional, a mãe ama no presente, o pai ama se a lei for cumprida, sua preocupação é o futuro do filho. As duas formas de amar são necessárias.

Regra nº7- Que, alguns valores universais como honestidade, respeito, lealdade e tolerância com as diferenças sejam comuns na família, neste sentido a máxima ideal é “colocar-se no lugar do outro”;

Regra nº8 – Que, como exemplo, a criança presencie em seu cotidiano  a concretização de bons acordos entre os familiares, para aprender como estabelecer as fronteiras pessoais e construir  relacionamentos baseados no respeito e consideração recíprocos;

Regra nº 9 – Que os educadores acreditem que o comportamento moral e ético nasce do respeito às regras sociais e que só a democracia nos trará a justiça social. Que se interessem e respeitem os princípios éticos dos direitos humanos na sua convivência diária, para que nossos filhos façam parte de uma geração que promova a paz entre os homens.

Regra nº 10 – Que se aceite profundamente a verdade que: “não criamos os filhos para nós, mas para o mundo”.

Temos certeza das dificuldades decorrentes de seguir estes princípios, mas a experiência de muitos anos de teoria e prática nos garante que a simples busca por segui-los já  contribuirá para uma sociedade melhor e, consequentemente, que nossos filhos serão mais felizes. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012


Meus agradecimentos à  homenagem da Associação do Comércio e Indústria de São José dos Campos em matéria do mês de Abril de 2012.

A Emak agradece à Câmara Municipal de São José dos Campos pela outorga da medalha Cassiano Ricardo. 

domingo, 29 de agosto de 2010

Diferenças entre a postura de ensino conhecida por "ensino tradicional" e a postura de ensino chamada de "construtivismo".

Diferenças entre a postura de ensino conhecida por "ensino tradicional" e a postura de ensino chamada de "construtivismo".

Este ensaio não tem a pretenção de esgotar o assunto que o título propõe.
Trata-se de um resumo feito para uma reportagem que saiu no Vale Paraibano ( jornal local).
Na ocasião o reporter me perguntou:
Qual é a diferença entre o método tradicional e o método construtivista?
Para essa pergunta eu sempre começo explicando que o construtivismo não tem um método, mas uma filosofia de educação que se reflete na postura de quem ensina.
Um método pressupõe ações padronizadas, que atingem determinados objetivos, mas nem sempre, no ensino, estas ações vem acompanhadas de uma teoria que as fundamentem.
Esse é o caso da prática que conhecemos por "tradicional".
Já a postura construtivista é uma interpretação do profissional do ensino, baseada em teorias que estudam os processos do ensino- aprendizagem. É uma transformação pessoal da teoria em prática. Dai talvez algumas práticas bem intencionadas mas inadequadas a visão de conhecimento interacionista.
Após 26 anos neste esforço de uma prática coerente com as teorias da psicologia do desenvolvimento de Piaget, o sócio-construtivismo de Vygotsky, os conteúdos da reforma de Cesar Coll, e outros inúmeros e não menos importantes teóricos do ensino-aprendizagem, pude ousar fazer a tabela abaixo que coloco à disposição daqueles que se interessam e/ou estudam o assunto para críticas e sugestões.










domingo, 30 de maio de 2010

Sobre o texto de Rosely Sayão

Escola “transbordante”.

A minha colega psicóloga, Rosely Sayão, colunista da Folha de São Paulo ás quintas-feiras no caderno Equilíbrio, e a quem tanto admiramos, escreveu um texto polêmico em sua coluna do último dia 29/04/10.
Polêmico porque se propôs a delinear as responsabilidades das partes (escola e família) no desempenho escolar das crianças.
No texto ela pede “perdão às mães” falando em nome de “muitas” escolas que culpam os pais das dificuldades dos filhos (segundo ela, por não sabermos ensinar alunos que não sejam exemplares)
Culpa também as escolas por informarem demais os pais sobre assuntos do comportamento de aluno que, segundo ela, deveriam ser tratados exclusivamente entre escola e alunos.
Concordo com ela, em parte, mas sou obrigada a concordar mais com o conteúdo em si e menos com o peso maior dado para apenas uma das partes envolvidas num relacionamento que já sabemos ser complicado por ser carregado de afeto.
Embora se espere que uma das partes seja estritamente profissional, é lógico que o professor tem seus medos do fracasso como qualquer ser humano. Hoje em dia com a escola arcando com a responsabilidade em formar a cidadania de seus alunos, com tudo o que esse conceito inclui, ou seja, para ser professor não basta mais ser apenas ser especialista em sua área curricular.
Como Antonio Nóvoa, grande pensador português disse em sua palestra no último Congresso Saber, a escola agora é “transbordante”, deve ser cheia de projetos e dar conta de cada vez mais conteúdo. Segundo ele “precisamos parar de pensar que a escola vai salvar o mundo”.
Houve uma mudança de paradigma nos conteúdos escolares que, como toda a mudança de valor envolve uma mudança pessoal por parte do professor. Isto não acontece do dia para a noite e muito menos por decreto. É compreensível que neste momento o professor se sinta inseguro. Os pais por sua vez, com cada vez menos tempo, enfrentando uma luta diária pela sobrevivência, não têm tempo para aprender a serem pais. A escola do filho passou a ser um fardo a mais e cabe a nós, educadores aliviá-los deste cargo.
Calma lá, a Cesar o que é de Cesar, ou melhor lembrando, os antigos tinham um ditado que dizia que aos pais cabe a responsabilidade de “embalar Mateus” mas não seria elegante reproduzi-lo neste texto.
A virtude esta no meio termo. O aluno não deve ser tratado como uma “batata quente” que ninguém quer segurar. É isto que está em jogo. Por outro lado, se todos nós nos responsabilizarmos pela sua vida escolar ele poderá se dar ao luxo de ficar irresponsável, é isso que acontece enquanto pais e escolas se culpam.
Portanto, os educadores devem refletir sim, não só sobre isso como ela pede em seu texto, mas sobre cada fundamentação de sua ações, assim como as família devem se responsabilizar sobre a sua parte.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O olhar da mãe conduz a aprendizagem.

O olhar da mãe conduz a aprendizagem.

Não aprendemos de qualquer um, aprendemos de quem confiamos.

O homem é o único animal que não herda padrões instintivos que possa garantir a sobrevivência. A sua herança genética maior é a capacidade de aprendizagem .
Somos da única espécie animal que se molda ao grupo com o qual convive, seja ele primitivo ou desenvolvido tecnológicamente.
Um LOBO sempre será um LOBO, mesmo que nunca conviva com outros da mesma espécie, e mesmo que seja criado por homens. Um homem poderá ser um “lobo”, se criado entre eles, o caso do “menino lobo” é verdadeiro.
É a aprendizagem da cultura que nos garante a preservação da espécie mas é a nossa capacidade de modificá-la, a partir da nossa individualidade , que é a mola das transformações sociais.
Segundo Alicia Fernandez, é a nossa individualidade, um organismo ( potencial genético) que em interação com o meio constrói imagens, sensações, a inteligência e as emoções, tornando-nos únicos, assim como a nossa interpretação do mundo . Quando percebemos a mesma realidade subjetiva de alguém sentimos que tivemos um verdadeiro encontro.
Mas o primeiro encontro se dá com o olhar da mãe. Descreve Sara Paim “Tudo começa na triangulação do primeiro olhar. No primeiro momento, a mãe busca os olhos da criança e a criança busca seus olhos; aqui há o encontro necessário para que haja aprendizagem, mas logo a mãe olha para outro lado. Seus olhares encontram-se em um objeto comum” E é esse objeto comum que desperta a nossa curiosidade.
Durante muito tempo a mãe, ou as pessoas que exercem a maternagem, serão responsáveis por dirigir este olhar, e a criança começará a gostar das coisas que essas pessoas gostam. O afeto é a mola do intelecto. Nossa inteligência não é só razão.O objeto que escolhemos para “apreender e conhecer” é guiado pelo afeto, por aquilo que valorizamos porque aprendemos a valorizar.
É por isto que se diz que aprendemos muito mais pelo exemplo do que pelas palavras. E também é por isto que se diz “filho de peixe, peixinho é ....”.
Essa força é muito poderosa e é assim que entendemos famílias inteiras que se dedicam ao mesmo ramo de atividades .É por isso que será muito difícil para pais que não gostam de ler, transformar seus filhos em grandes leitores ou pais que não valorizam atividades físicas, terem filhos atletas.
Mas como o ser humano é capaz de modificar-se, assim também nossos filhos não estão presos a um destino determinista por conta das nossas limitações. Apesar delas e não eximindo a nossa parte de responsabilidade, eles com certeza nos superarão.

domingo, 18 de abril de 2010

As sanções Construtivistas.

As sanções Construtivistas.

“Os professores construtivistas não “disciplinam” as crianças no sentido de controlá-las ou puni-las. Ao invés disso, as alternativas construtivistas a esse tipo de disciplina centram-se em estratégias de apoio à construção pelas crianças, de convicções sobre o relacionamento cooperativo com outros. A distinção de Piaget entre sanções expiatórias e por reciprocidade é a base para o planejamento das reações a maus atos.”
O trecho acima foi retirado do livro A ética na educação infantil, a que já me referi em outros textos já publicados aqui. Este conceito expresso neste pequeno texto é a base da “metodologia” da construção da moral, entendendo método como o fazer no dia-a-dia diante do comportamento inadequado do aluno ou filho.
Como lidar com o comportamento agressivo, insensível, desobediente, descontrolado e outros?
Alem de combinar regras, o que fazer quando elas forem ignoradas?
A teoria propõe que vigiemos nossas ações para que elas não tenham uma postura expiatória, ou seja que elas não tenham a intenção de fazer a criança pagar pelo que fez e a nossa postura transpire a de um executor. Uma vez submetida a pena expiatória ( similar ao antigo ajoelhar no milho) a criança sente que já não deve mais nada, expiou sua culpa, pode fazer de novo. A consciência do mal praticado por ela fica por conta do adulto, não permitindo que ela desenvolva um raciocínio moral autônomo.
A postura construtivista deve ser em primeiro lugar calma, para que a criança realmente perceba que estamos apenas cumprindo uma regra que foi combinada de forma clara e que é conseqüência da ação da própria criança. Só ela é responsável por aquela sanção, quando muito podemos ser apenas solidários com o erro infantil, mas sem deixar de aplicar a sanção por reciprocidade. Essas sanções podem ser:

1 – Conseqüência naturais (a privação resulta diretamente da ação, (quebrou ou perdeu)
2 – Compensações (consertar ou substituir)
3 – Privar o transgressor do objeto mal-usado ( um brinquedo, computador, etc)
4 – Exclusão do grupo até que consiga seguir as regras do mesmo. ( do jogo ou da atividade)
5 – Fazer à criança o mesmo que ela fez. (só no caso de recusar ajuda-la)
6 – Censura ( para que perceba a transgressão do vínculo de solidariedade decepcionando)
Na escola, a fim de deduzirem a possibilidade de as crianças sentirem as conseqüências como arbitrárias e punitivas, os professores construtivistas seguem nove diretrizes que protegem a autonomia das crianças. ( em casa podem ser adaptadas)
1 – Evite sanções expiatórias
2 – Encoraje a associação lógica das conseqüências
3 – Quando as crianças sugerirem uma conseqüência muito severa para o amigo peça para que o transgressor diga o que sente e apóie esse sentimento
4 – Verbalize a relação de causa-efeito, quando ocorrem conseqüências naturais.
5 – Permita seletivamente, a ocorrência de conseqüências naturais. ( ex.: tratar do amigo que machucou)
6 – Ofereça oportunidades para a compensação. (Consertar o que fez)
7 – Quando a exclusão é utilizada, abra caminho para a readmissão.
8 – Quando as crianças excluem outras, ajude o excluído a encontrar um modo de reingressar na brincadeira e melhorar a relação com os companheiros
9 – Evite conseqüências indefinidas Ex.: a exclusão de um aluno da próxima excursão pode ser planejada de forma que em outra mini excursão ele retoma a confiança de que seguirá regras.

Posso testemunhar a eficácia dessa postura após anos de aperfeiçoamento na utilização desta prática. A disciplina encarada como a construção da moral pelo aluno é uma forma feliz de convivência entre todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem.