domingo, 11 de abril de 2010

avaliações

  • As avaliações Bimestrais

    A EMAK, define sua proposta de avaliação, através da análise de novos modelos de avaliações feitas pelo ENEM, SARESP, e outras. Nossa proposta não tem como objetivo preparar o aluno para “uma” avaliação, mas prepará-lo para as avaliações que enfrentará no futuro. Para isso, nossa equipe vem estudando os teóricos do assunto, como Philippe Perrenoud, Edgar Morin, César Coll.
    As mudanças na educação para o novo milênio são uma “imposição”da UNESCO no sentido de promover o desenvolvimento de um ser humano inteligente que resguarde a vida no planeta. Segundo a UNESCO, para tal a educação baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer , aprender a ser e aprender a conviver.
    A avaliação como instrumento pedagógico surgiu por volta do séc. XVII e tornou-se indissociável do ensino. Segundo Perrenoud “A avaliação inflama necessariamente as paixões, já que estigmatiza a ignorância de alguns para melhor celebrar a excelência de outros. Quando resgatam suas lembranças de escola, certos adultos associam a avaliação a uma experiência gratificante, construtiva: para outros, ela evoca, ao contrário, uma sequência de humilhações.
    Tornando-se pais, os antigos alunos têm a esperança ou o temor de reviver as mesmas emoções de seus filhos.”

    Estando os pais envolvidos através do resgate dos afetos e desafetos, optamos por enviar sugestões fundamentadas para que, nesse momento de “paixões”, decidam da melhor forma, amparados em dados objetivos:

    · Os novos modelos de avaliação dão ênfase na aferição das estruturas mentais com as quais construímos continuamente o conhecimento e não apenas na memória que, importantíssima na constituição de nossas estruturas mentais, sozinha não consegue fazer-nos capazes de compreender o mundo;

    § O desenvolvimento destas estruturas mentais NÃO SE CONSEGUE DE UM DIA PARA O OUTRO (de véspera).

    § Diariamente são propostas atividades em sala que, no conjunto, visam este desenvolvimento. O ALUNO DEVE SER ATIVO NESSAS ATIVIDADES.

    § Para “estudar” adequadamente, o aluno deve desenvolver o hábito de estudo diário, reservando uma hora marcada do seu dia para tarefas escolares ou leitura.

    § A leitura compreensiva é a competência básica que permeia todas as demais, portanto deve ser incentivada pela família e pela escola.

    § Desta forma, mantendo essas perspectivas, com ajuda da família, o aluno que não tem dificuldades específicas não precisará estudar exaustivamente na véspera das provas.


    Como ajudar seu filho a estudar para as provas

    Um bom rendimento escolar começa, naturalmente, pela postura em sala de aula. Alguns alunos às vezes pensam que é possível recuperar em casa, individualmente, o tempo perdido em aula mal assimilada. Nada mais equivocado. O processo de aquisição do conhecimento não se desenvolve plenamente de modo individual, porém aprender o método de estudar é uma tarefa solitária, e pessoal. Cada pessoa sabe qual é a sua forma mais eficiente de desenvolver sua própria técnica de memorizar, relacionar e compreender. Pergunte ao seu filho como ele aprende. Assim você o estará ajudando a desenvolver seu método pessoal de estudo.
    Aos pais cabe fornecer o material necessário, local adequado e, apenas em algumas situações excepcionais, orientar o estudo. Às vezes, é importante esperar que o aluno tente através de seus próprios recursos, pois a confiança e a autonomia são companheiras indissociáveis.
    Não subestime seu filho, fazendo tudo por ele. Isto o tornará dependente e inseguro. Aprender, assim como andar, comporta facilitadores, mas só o próprio indivíduo pode fazer.
    Oriente-o, se for possível, apenas no que diz respeito a:

    · marcar hora do início e do fim do estudo ( nunca menos de uma hora);
    · estar bem acomodado (cadeira e mesa, nunca na cama);
    · escolher um local bem iluminado e longe da movimentação da casa;
    · não interromper com telefonemas ou respondendo e-mails...;
    · dispor do material necessário (livros e cadernos);
    · pedir ajuda excepcionalmente e “se” necessário;
    · refletir sobre o relatório de ocorrências e suas conseqüências;
    · não mudar o horário de estudo;
    · não propor trocas ou “barganhas”
    · combinar regras claras e do conhecimento de todos;
    · se não tiver trabalho e/ou tarefas, manter o horário de estudo, e ocupar-se com livros, gibis ou jogos educativos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher nos propõe reflexão sobre a nossa vida.

Dia 8 de março chegou e com ele, uma pausa nos textos sobre psicopedagogia e a reflexão sobre o dia internacional da mulher. Para muitas pessoas em uma análise superficial, a data é inútil, servindo só para maior discriminação da mulher. Mas essa idéia não sobrevive a uma análise mais profunda. Se levarmos em conta as exigências a que as mulheres “modernas” se submetem, veremos que muitas vivem quase um autoflagelo. Incentivadas pela mídia e pela cultura paternalista e tradicional, as mulheres modernas tem que dar conta da beleza, da “eterna” juventude, da carreira, dos filhos, da casa e da participação política. Continuam a ganhar menos que os homens, estudam mais, se exercitam mais, se embelezam mais e, como se tudo isso não bastasse, limpam, fazem compras e cozinham mais. O resultado é uma ansiedade infinda por ter abraçado uma missão impossível.
O dia internacional da mulher é importante sim, importante para que cada uma de nós faça uma\ reflexão sobre essa necessidade de atender a essas múltiplas tarefas.
Quem?(Se não nós mesmas) nos obriga a essa maratona? Porque não nos propomos dividir mais? Será para não perder o poder doméstico? Será para poupar filhos e maridos? E fora do lar, porque não exigimos salários iguais e creches e escolas em período integral?
Quem nos colocou na posição de cidadãs de segunda classe? Quando discuto com meus alunos sobre auto-estima costumo pedir que interpretem a afirmação: “Ninguém poderá fazer você se sentir inferior, a menos que você esteja de acordo” Será que temos um problema de baixa auto-estima? Se isso for real, quanto ele é cultural e quanto será pessoal?
Nas buscas históricas sobre a imagem da mulher, percebe-se que a mulher já esteve na posição de deusa, presumia-se que a maternidade fosse um ato divino. Depois, quando o homem percebeu sua responsabilidade pela gravidez, a mulher passou a ter que ser “possuída e trancafiada” para garantir a paternidade a esse homem. Durante a maior parte da história a mulher foi excluída da vida pública e considerada um homem incompleto. Com o romantismo surgiu a mulher enaltecida. “O romantismo foi, efetivamente, o movimento que deu projeção à mulher, tornando-a mais respeitada e com alguma importância social”, afirma Cristina Costa em A Imagem da Mulher. O movimento romântico fez parte de um movimento do clero no século 16 para amenizar o intenso clima de guerra que dominava a Europa.
No século 18, com a preocupação sobre os direitos do indivíduo, a educação foi valorizada e trouxe poder a maternidade novamente. A mulher voltou a ser líder na família e o homem líder nas situações sociais. E assim chegamos até os dias de hoje.
Esse é o legado cultural que nos restou. Mas agora, que sabemos existir um paradigma patriarcal inconsciente, o que podemos fazer? Como psicóloga aconselho a conhecê-lo e aceitá-lo como real. Ai então poderemos refletir sobre ele no contexto atual .
Viram como o tema é complexo? Se não fosse o dia internacional da mulher, provavelmente a sobrecarga das nossas atividades cotidianas não daria tempo para esta reflexão. O outro conselho que ouso dar é para que nos amemos mais com nossos limites, fragilidades e por que não dizer, nossas maravilhosas diferenças .

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O ambiente sócio-moral e sua influência no desenvolvimento infantil.

O ambiente sócio-moral e sua influência no desenvolvimento infantil.

Conforme prometi seguem mais alguns conceitos do livro Ética na Educação Infantil, o ambiente sócio-moral na escola, de Rheta DeVries e Betty Zan. Podemos começar definindo o que significa o termo sócio-moral no livro. Sócio diz respeito às convenções sociais, regras de boa educação que regem o comportamento dos indivíduos de uma sociedade. Moral é o respeito às idéias e desejos do outro. A criança sócio moral não é aquela que obedece cegamente os adultos, a criança moral é aquela que segue as regras conscientemente em respeito aos que convive. Quando alguém segue essas regras fica difícil saber se a intenção é evitar punições e receber elogios ou é respeito e consideração pelos indivíduos com os quais convive. Por isso o termo é inseparável.
A criança pequena entende as regras de acordo com o seu nível intelectual e sua experiência através da convivência, dentro da família e na escola. Dentro da família ela aprende as regras privadas do grupo familiar. Não é sempre que as regras privadas coincidem com as regras do espaço público. Por exemplo, cada família tem suas próprias regras para a hora da refeição, pode-se comer com o prato na frente da TV, dentro do quarto, individualmente, a qualquer hora que se sinta fome, na mesa com os outros, lendo o jornal, etc... Já no âmbito privado, as regras à mesa são claras e rígidas. Portanto nem sempre se aprende todas as regras sociais em casa. É na escola que a criança convive com seus iguais, hierarquicamente falando. E, para que esse grupo maior e de direitos iguais, possa conviver bem é preciso combinar regras. É nessa negociação que começa a aprendizagem sócio-moral. É na hora da conversa, do infantil até o fim do ensino fundamental, que os alunos podem ser auxiliados a cooperar e a negociar. Como eles têm dificuldade em se colocar no lugar do outro, é na conversa que cada um conta ao outro como se sente em relação às brincadeiras de “mau gosto” ou à exclusão de uma brincadeira ou às fofocas maledicentes e combinam regras sobre estes assuntos e outros como: o uso dos materiais da sala, ambiente na hora do trabalho, e muitas situações que convivem com o cotidiano de uma classe. Esses aspectos, se não resolvidos, podem influir na aprendizagem acadêmica, portanto, quando surge um conflito, longe de entregar para alguém fora da sala resolver pensando em por para longe o que pode atrapalhar a aula, deve-se encará-lo de frente. Quase sempre é necessário resolver o problema conversando sobre ele e aproveitando para permitir que os alunos exercitem a construção da moral.
Fazendo um parênteses, uma forma de controlar o ambiente escolar para esses momentos de construção da moral é promovendo assembléias escolares, essa é a minha experiência pessoal há cinco anos, promovendo assembléias do 2º ao 9º ano. Tema do professor Ulisses Araújo, da PUC de Campinas, e com quem apuramos uma prática que exercíamos desde o início dos anos 90, através de suas publicações e de sua palestra em São José dos Campos em 2005. Construtivistas desde 1986, sempre entendemos a moral como um objeto de conhecimento, com o qual o aluno precisa interagir de forma curricular, assim como interage com a língua escrita e a matemática. “A moralidade se constrói assim como o conhecimento do mundo físico” e este é um dos paralelos entre os estudos das autoras e as pesquisas do desenvolvimento moral de Piaget.
A sugestão das autoras é a Roda da Conversa, momento em que decidem, combinam regras e discutem dilemas morais, não com o intuito de resolvê-los, mas para exercitar a argumentação e ouvir opiniões divergentes.
Piaget definiu moral como “um sistema de regras internalizado, e que o indivíduo segue como um princípio necessário para a vida em sociedade”. Voltando ao livro, para chegar ao grau máximo de internalizar essas regras como um valor, será preciso passar pelos níveis que Selmam, 1980, elaborou sobre o trabalho de Piaget . Esses níveis, vão da perspectiva egocêntrica (incapaz de pensar em outro ponto de vista que não o seu próprio) ao domínio do entendimento interpessoal. O professor tem como trabalho conhecer esses níveis e intervir para que o aluno progrida para um nível superior.
Selmam chamou de níveis e não estágios porque ao contrário do conhecimento físico, o indivíduo sempre poderá regredir ao nível inferior dependendo da carga afetiva envolvida. Ao professor cabe ajudar os alunos tanto na explicitação do conflito, aos quais muitas vezes falta clareza, quanto a guiá-los nas decisões do grupo, explicitando aquelas que fogem ao bom senso. “Neste ambiente o professor pede, sugere, persuade, ao invés de dizer, mandar, controlar”. A medida certa entre guiar co-operando e guiar mandando é a dificuldade deste trabalho, para o qual, há de se ter um perfil que reflita um real comprometimento com a teoria.

A influência deste ambiente no desenvolvimento da criança conforme fundamentam as autoras, é que “quando os adultos permitem que as crianças pensem e decidam sobre as regras, ajudam no desenvolvimento de um “self”(noção de si mesmo) seguro e estável” enquanto que o ambiente escolar coercitivo, cheio de regras autoritárias, “propicia indivíduos inseguros, sem autonomia, que podem reagir com submissão, raiva ou dissimulação, por não entenderem as crenças e os valores das regras que lhe são impostas. A coerção limita a mente, personalidade e sentimentos das crianças”.

O ambiente escolar deve propiciar um ambiente sócio-moral construtivista, fortemente embasado em conhecimento teórico. Só a nossa aprendizagem sobre a construção da moral, será capaz de quebrar um paradigma, construído através de anos em escolas que negavam o relacionamento entre alunos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O que vem a ser ambiente sócio-moral na escola.

Não tendo desculpa para tamanha ausência de textos vou tentar me redimir com a resenha de novas releituras.
Sem prometer tamanha disciplina, me atrevo a dizer que segue a primeira.

É muito bom ter novos desafios, no final do processo você sempre sairá modificado por novos conhecimentos. Mas também é muito bom quando você lê sobre um tema que você já conhece, desenvolve um trabalho e a leitura dá nomes e cita experimentos que comprovam que estamos no caminho certo há muitos anos.

Foi o que aconteceu com a leitura do livro a Ética na educação infantil, o ambiente sócio-moral na escola, de Rheta DeVries e Betty Zan, um livro que li e resumi para dar aula em cursinho para concurso de professores.

Ao tomar conhecimento deste livro na bibliografia do concurso já fiquei muito feliz porque sempre acreditei ser este ,um tema fundamental para qualquer educador que se atualiza. Parabenizo os organizadores da bibliografia quanto, não só este, como todo o conteúdo exigido, muito embora, por experiência no trabalho com professores, este conteúdo bibliográfico, por representar uma mudança no paradigma escolar, leve mais de uma década para ser inteiramente compreendido e quiçá um dia ser incorporado à prática de um educador.

As autoras são seguidoras de Piaget, produzindo literatura a respeito de assuntos que contribuem para a prática construtivista, que eu conheça, desde a década de 80. Este livro é de 1994. Eu já o possuía e havia feito uma leitura casual, mas ele, como todos os livros construtivistas, têm que ser lido com profundidade.



Deixando de lado as considerações, vou tentar escrever sobre a idéia central deste livro genial de trezentas e poucas páginas.

O que vem a ser ambiente sócio-moral na sala de aula?

Trata-se de um ambiente proporcionado pala postura do professor, que se propõe a respeitar o aluno física, emocional e intelectualmente.
O ambiente que respeita o aluno fisicamente é aquele adequado as suas necessidades fisiológicas como por exemplo comer, ir ao banheiro, repousar, referentes a faixa etária, aos cuidados ambientais adequados em todos os sentidos ( organização, higiene, clima, espaço, mobiliário, iluminação, etc...). É incrível a dificuldade dos professores em permitir ao aluno ir ao banheiro quando este solicita.

O ambiente que respeita emocionalmente é aquele que permite e incentiva o aluno a falar de seus sentimentos no seu nível de desenvolvimento, e que o professor conheça a teoria de desenvolvimento sócio-moral e possa intervir adequadamente para que o aluno progrida para um nível superior. Este ambiente inclue aceitação incondicional, inclusive da criança “difícil” ( considerada pela autoras aquela que coloca os outros em perigo e perturba as atividades da aula), empatia e regras claras. Longe de ser um ambiente de liberdade total porém sem dúvida um ambiente democrático, uma vez que permite, sob a tutela do adulto, que as crianças pensem e deliberem sobre suas próprias regras. O termo sócio-moral combina as regras sociais ou convencionais de boa educação com o termo moral entendido como o respeito aos sentimentos e desejos dos outros; assim como o cumprimento das regras como necessidade para a boa convivência.

Respeitar o aluno intelectualmente, quer dizer, conhecer o estágio de desenvolvimento cognitivo de seu aluno e propor atividades adequadas, conhecendo o raciocínio infantil e fornecendo a base para o seu desenvolvimento. Para isso o educador deve conhecer a teoria de Piaget tanto no que diz respeito ao sujeito que aprende quanto à hierarquia de conhecimento do objeto de aprendizagem, do qual ele será mediador na interação sujeito-objeto.

Mas, o mais importante é que ao proporcionar um ambiente sócio-moral estaremos auxiliando a formar um indivíduo autônomo, finalidade de toda a educação. Este sujeito será ativo moral e intelectualmente, autor da própria aprendizagem, numa progressão apenas imaginável no sonho de um educador.

Para Piaget, o ambiente que permite pensar e decidir sobre as regras ajudam, no desenvolvimento de um self ( noção de si mesmo) seguro e estável, ao contrário do ambiente autoritário, onde o professor detêm o saber e o aluno espera dele o sinal para aprender, que propicia indivíduos inseguros, heterônomos (regulados por outrem) que podem reagir com submissão, raiva ou dissimulação.
Bom, agora que já foi dito “o quê” e o “porquê”, resta o “como” fazer isto em sala de aula.
Como trabalhar isso no dia-a-dia?


Pra quem não conhece e não pode fazer uma visita na escola EMAK, resta esperar um novo texto, sem o qual o livro que me propus relatar permaneceria injustamente incompleto.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Por que escrever é tão difícil ?

Escolhi este tema para justificar e me desculpar pela demora em postar textos em meu blog mas a verdade é que a autocobrança me fez pensar sobre o tema que dá título a este texto.

Vejam bem, se já é difícil falar o que pensamos, mesmo tendo o recurso da linguagem corporal como gestos, “caras e bocas”, imaginem registrar todos estes recursos juntos graficamente. Explicando melhor, os gestos que fazem parte da explicitação das nossas ideias, ao escrever, transformam-se em pontuações que devem ser claramente representadas, sendo transformadas de símbolos gestuais em símbolos gráficos.
Além disto, ao escrever, não podemos contar com o recurso da presença do interlocutor, para dar o retorno, também gestual e regulador, do entendimento que está tendo das ideias que pretendemos comunicar.

Como se não bastassem estas dificuldades ( que já não são pequenas), temos que discorrer sobre o assunto com coerência quanto ao conteúdo, encadeando o assunto com lógica, sem declinar da forma, ou rigor gramatical.
Para isso é preciso escolher o tipo de estrutura de texto, seguindo as suas regras que servirão para que o leitor entenda a mensagem.


Será uma carta? Um bilhete? Um e-mail? Uma dissertação? Uma notícia?
Na escola muitas vezes vale apenas o: é para nota? (só para refletir na falta de significado da tarefa e sua influência na produção do nosso aluno)

O objetivo da escrita é que define a estrutura de texto que vamos escolher.

Para escrever precisamos ter dois tipos de conhecimento, o conhecimento de mundo (o assunto e os temas envolvidos), e o conhecimento lexical ( da lingua )
Precisamos também saber claramente a quem se destina, quem é o leitor, seu grau de escolaridade, seu conhecimento sobre o assunto.
Será um texto para leigos ou acadêmicos?
Quando o assunto é específico de uma área de estudo, possui uma linguagem técnica. com palavras que resumem conceitos para facilitar a comunicação. Se este mesmo texto é para o público em geral, esses conceitos têm que ser definidos no texto para atingir o mesmo objetivo.
Some-se a tudo isto o fato de que temos que organizar o assunto durante a escrita, ou seja, a necessidade de exposição organiza o nosso pensamento que não se encontra pronto de forma clara e didática antes de organizado na forma gráfica.
Ao fazermos isso, a primeira organização pode nos parecer clara, no entanto, basta nos afastarmos do texto por um período curto, um ou dois dias, que já perceberemos trechos obscuros, e isto para nós, os autores do texto, imaginem para quem vai lê-lo!
Quando escrevo, ao ler dias depois o que escrevi, corrijo sempre e em muitos aspectos. Diria até que para mim um texto nunca esta terminado, como uma pedra bruta que nunca esta lapidada.
É por isso que alguns deles eu reescrevo, sempre na esperança de me fazer entender melhor. Também é por isso que alguns se tornam eternos rascunhos, mas é um prazer sentir que uma ideia esta pronta para iniciar este difícil diálogo com você, leitor desconhecido e para quem nos esmeramos tanto para alcançar um encontro com a subjetividade.
Como disse Madalena Freire:"Escrever dá muito trabalho porque organiza e articula o pensamento na busca de conhecer o outro, a sí, o mundo. Envolve, exige exercício disciplinado de persistência, resistência, insistência, na busca do texto verdadeiro, aquele que"o homem escreve com o seu próprio sangue""

domingo, 23 de agosto de 2009

O papel do pai é o de mostrar o sonho e a lei.

Há muitos e muitos anos atrás, os pais conviviam mais com os filhos do que as mães. As tarefas do campo ou artesanais faziam dos pais o primeiro professor de ofícios. Segundo Robert Biy, conferencista americano, escritor do livro “João de Ferro” sobre o psiquismo masculino, durante a estada no ventre da mãe o filho aprende a afinar-se com a freqüência feminina, mas com o pai essa freqüência é aprendida com o conviver.


Com a vinda da era industrial, há 150 anos atrás, a cada geração aumenta o afrouxamento do laço entre pai e filho. O pai trabalha fora de casa e o filho não só não aprende seu oficio como tambem deixa de sintonizar seu corpo numa vibração masculina. Segundo o autor, “ os filhos que não tiveram passado por essa sintonização sentirão fome de pai durante toda a vida”. Este pai do qual estamos falando não é só o progenitor, muitos pais substitutos podem trabalhar com os jovens: tios podem estimular seu crescimento, avós podem lhes contar histórias, velhos podem ensinar rituais e tradições; todos eles pais honorários.


Em “ João de Ferro” temos um retrato da atual situação da sociedade contemporânea sob a acusação de ter “pais de menos”. Com essa distância e desconhecimento do ofício do pai, como imaginar que ele é um herói? Como saber que o pai é um lutador do bem? Some-se ao imaginário (ou até por ele), os filhos, as mães e a própria mídia mostrarem os pais como objetos de riso como vemos nos comerciais de TV, promovendo uma ridicularização deste papel : torna ainda mais difícil a posição de mentor.


E como fazer a função paterna retomar seu vigor e importância? Voltando ao passado, quando o filho aprendia, “junto ao pai, ao consertar pontas de flechas ou arados, ou lavar pistões na gasolina, ou cuidar dos partos junto aos animais” ?
O que o pai moderno pode contar ao filho sobre o seu trabalho? Serão éticos os princípios que o fazem acordar todo o dia cedo e ausentar-se de casa? Trabalha-se por gosto do ofício? Por dinheiro? A empresa é idônea? Respeita o meio ambiente? È um trabalho digno de orgulho? Esse guerreiro luta pelo quê? Qual é o seu sonho, seu ideal? Continua lutando...desistiu?


Há muito o que ensinar na era do conhecimento, há de se valorizá-lo como os cavaleiros medievais aos seus tesouros. Há também que se reinventar essa versão de pai contemporâneo. Se os antigos tinham as espadas agora estes têm a lei e a ética. Aos pais cabe ainda e talvez principalmente, cortar a relação simbiótica entre mãe e filho, como apontou Freud, e fazer esse filho crescer como pessoa, fora da superproteção da mãe, mostrando a lei da vida, preocupando-se com o futuro adulto, colocando limites que serão fundamentais ao convívio social de um futuro cidadão.Temos visto muitos pais com fortes intenções de cumprirem seu papel, alguns muito ríspidos e intolerantes outros excessivamente tolerantes com os erros dos filhos, mas ambos com boas intenções. È claro que o segredo esta no meio termo, mas isto é fácil de escrever e difícil de fazer. Nosso conselho é que continuem com seus cuidados, sem esquecerem que é com vocês que eles aprenderão o papel masculino: A menina escolherá seu marido “ideal” e o menino se tornará “O” pai.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O olhar materno nos conduz à aprendizagem.

A nossa individualidade é construída através da interação de, um organismo, potencialmente genético, com o meio, gerando a inteligência e as emoções, em uma combinação única.

Esse meio, físico e social em que se nasce, nos é apresentado pelo olhar da mãe da forma que descreve Sara Paim “Tudo começa na triangulação do primeiro olhar. No primeiro momento, a mãe busca os olhos da criança e a criança busca seus olhos; aqui há o encontro necessário para que haja aprendizagem, mas logo a mãe olha para outro lado. Seus olhares encontram-se em um objeto comum”.

Durante os primeiros anos da criança, a mãe, ou as pessoas que exercem a maternagem, serão responsáveis por dirigir seu olhar, e a criança começará a ter interesse pelas coisas que essas pessoas apresentam interesse.

Nossa inteligência não é só razão, o objeto que escolhemos para “aprender e conhecer” é selecionado pelo afeto, por aquilo que aprendemos a valorizar. Conhecemos esse “tipo” de afeto pelo nome de motivação e sabemos muito bem como é difícil ter controle sobre.essa força tão poderosa.

Isso quer dizer que o nosso destino esta pré-determinado?

Felizmente não, o ser humano é capaz de modificar-se e modificar a cultura a partir da própria individualidade, o que salva a humanidade de um destino determinista e ao mesmo tempo nos torna promotores do desenvolvimento social, podendo então encontrar o olhar dos nossos filhos e recomeçar o ciclo em um novo patamar....